sábado, 9 de fevereiro de 2008


Soneto do Maior Amor

Maior amor nem mais estranho existe

Que o meu, que não sossega a coisa amada

E quando a sente alegre, fica triste

E se a vê descontente, dá risada.

E que só fica em paz se lhe resiste

O amado coração, e que se agrada

Mais da eterna aventura em que persiste

Que de uma vida mal-aventurada.

Louco amor meu, que quando toca, fere

E quando fere, vibra, mas prefereFerir a fenecer -

e vive a esmo.Fiel à sua lei de cada instante

Desassombrado, doido delirante

Numa paixão de tudo e de si mesmo.

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