sábado, 9 de fevereiro de 2008
CAVALHEIRO
Fátima Irene Pinto
Desculpa-me cavalheiro,mas vou quebrar o protocolo e vou tirar-te para dançar...
não te assustes com a minha ousadia.Ouça como é linda a melodia,e eu simplesmente não resisti...olhei para teu corpo moreno e esguio,e teu porte me soou como um desafio.Todos os cavalheiros do salão,sumiram do meu campo de visão...só tive então olhos para ti.Ouça como é linda esta canção.Envolva-me nos teus braços delicadamente...permita-se embriagar pela meia luz, pela ambiência,pelos acordes e por tudo que eles possam evocar.Vem, cavalheiro,vem dançar esta melodia e não repare,se além da minha ousadia e da quebra de protocolo,eu quiser me achegar... é que tua pele macia,cheirando a pinho do alto da serra,encerra encantos de raro carisma...não resisti e vim tirar a cisma e estou aqui a tua frente,pedindo que me tires para dançar.Não repares, cavalheiro,se esta dama atrevida olhar fundonos teus olhos castanhos, quase a encarar ...achegar-se comovida no teu corpo varonil,quase a apertar ...deslizar as mãos com doçura pela tua nuca ...roçar os lábios nos teus lábios silentesque incitam a beijar.Se quiseres uma contradança formal,prometo me comportar... mas cavalheiro,eu não me importarei e nem me sentirei ultrajada,se no meio da contradança, estancares o teu passo,junto à multidão, abrindo espaço,puxando-me pela mão,arrancando-me do salão...Então não digas nada cavalheiro, porque não é preciso.Teu gesto apenas me diz que pudestes interpretara linguagem secreta do meu coração!!!
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